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Absurdo! Dramatização de Textos de Iocensco e Becket

Outubro 26, 2009

Por Thiago Mattar

IV Encontro de Comunicação e Letras

IV Encontro de Comunicação e Letras/Linguagens em Interface

A palestra sobre o Teatro do Absurdo realizada na sala 73 do prédio RW foi ministrada em três etapas pelos professores Wagner M. Madeira, Terezinha de A. Arco e Flecha e Camilo Lafalce. Foram abordadas as referências importantes para a criação de uma das vertentes mais interessantes da história do teatro. As obras de Samuel Becket, E. Ionesco e outros foram relacionadas à belle époque, à vanguarda européia, e, especialmente, à filosofia existencialista que trouxe para o texto literário a palavra absurdo (introduzida por Albert Camus).

Camilo falou com entusiasmo sobre as vanguardas européias do século XX que influenciaram esse período de formação do Teatro do Absurdo, especialmente o dadaísmo que aborda o absurdo da existência, onde nada faz sentido, com isso, é preciso construir sentido continuamente. O dadaísmo destruiu a arte para reconstruí-la. As apresentações performáticas dos dadaístas, segundo Camilo, inspiraram o teatro do absurdo, embora grande parte dos acadêmicos insista na influência surrealista. A obra de Camus, O Mito de Sísifo, também influenciou o nascimento dessa estética (ou, tratando-se de Teatro do Absurdo, a ausência da mesma).

As características básicas do teatro do absurdo são: um texto poético (não narrativo), ausência de enredo, humor tenso, o nonsense, o grotesco, um diálogo fragmentado, personagens arquetípicas e a denúncia social e política em sua forma revolucionária. Camilo, ao término de sua fala, esclarece um pouco sobre uma das técnicas utilizada pelo Teatro do Absurdo, a chamada poética da saturação, que consiste em uma situação cômica repetida a exaustão até que essa mesma situação comece a despertar novas sensações na platéia (angústia, medo, agressividade).

Wagner começa sua fala abordando a obra de Ionesco de perto, sua principal obra, a “antipeça” intitulada A Cantora Careca, que trabalhava com uma linguagem de táticas de choque: um efeito de alienação que deixa o espectador atônito. A peça é um ataque contra o que Ionesco chamou de a “pequena burguesia universal”. A obra de Ionesco possui uma linguagem tão prosaica que se torna absurda.

Terezinha foi econômica em suas palavras, mas indicou a todos os espectadores que, se puderem, confiram nessas ferias a montagem da obra de Ionesco que está sendo encenada há 50 anos em Paris. A palestra encerrou-se com uma leitura dramatizada interessante de um trecho da obra de Ionesco, leitura que divertiu os alunos. Camilo arranjou até um cenário improvisado para a leitura (panos pretos que cobriram as cadeiras para criar um ambiente mais ritualístico). Camilo se mostrou o mais encantador dos palestrantes, ganhou o público presente do começo ao fim com seu carisma e humor cáustico.  Terezinha e Wagner surpreenderam os alunos com suas posturas pomposas na leitura do texto. A leitura da personagem feminina merece destaque, Terezinha tem formação cênica no Teatro de Arena, não é de se espantar que uma leitura tão espirituosa brotasse daí.

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