Skip to content

Dos nórdicos para a Folha de São Paulo

Outubro 27, 2009

IV Encontro de Comunicação e Letras discute com Carlos Eduardo Lins da Silva a necessidade de auto-regulamentarão na imprensa brasileira em tempos de internet.

por Marcio dos Anjos

IV Encontro de Comunicação e Letras/Linguagens em Interface

A profissão de ombudsman nasceu na Suécia em 1808, com o fim de fiscalizar o poder público e ouvir as queixas dos cidadãos. 159 anos depois a imprensa adota tal função. Assim, o jornal americano Louisville Courier Jornal e, logo três anos depois, Washington Post legitimam em suas redações a profissão de ”representante do povo”, donde vem a significação do léxico.

No Brasil, este encargo nasce na Folha de São Paulo, em 1980. Desde então, assinaturas de Caio Túlio Costa, Marcelo Leite, ou Renata Lo Prete já estiveram impressas na coluna dominical da Folha destinada à crítica da imprensa. Hoje, quem a assina é Carlos Eduardo Lins da Silva, cuja experiência de dois anos no cargo foi-nos contada hoje (27), na IV Semana de Comunicação e Letras, realizada na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com a temática “O papel do ombudsman na era da convergência de mídias”.

Lins da Silva, em sua calma e serenidade, inicia a discussão colocando a importância da critica jornalística para um bom exercício do jornalismo. “Pois na falta deste existe a possibilidade ou de um censura estatal, como ocorreu conosco na ditadura, ou de uma situação de descontrole total do que se escreve, e ambos são indesejáveis”, argumenta.

De modo que, diz Lins, é de suma importância a regulamentação da profissão para a fiscalização do jornalismo. Aqui, Lins da Silva exemplifica. Para ele o ideal seria algo parecido com o CONAR (Conselho de Auto-regulamentação Publicitária), órgão nacional de fiscalização da atividade.  Mas Lins não é otimista: “Acredito que demorará em que o jornalismo chegue a esse nível”.

E por que, como ele mesmo atesta, há tão poucos (em média 5, de fato consolidaddos) veículos com ombudsman? Neste ponto, Lins da Silva discorda da posição ideológica (segundo a qual e indesejável aos meios ter alguém censurando sua visão de mundo) e contrapõe: “Acredito que isso ocorre mais por falta de os jornalistas saberem aceitar e lidar com as criticas do que por uma questão política.”

 Lins da Silva argumenta ainda contra a utopia cibernética de democracia. Para ele, a internet nem pode significar um fim da carreira de ombudsman, nem também significa uma “nova democracia”.

De acordo com o palestrante, os fenômenos que ocorrem de crítica à mídia na internet são só até certo ponto confiáveis para o desenvolvimento do jornalismo, pois que é forte a ocorrência de comentários ‘ideologizados’. “Os weblogs são de fato fortes instrumentos de avaliação da imprensa, mas como muito deles são partidarizados, torna-se difícil o exercício da critica realmente relevante”, afirma.

Além disso, o palestrante lembra o site “My B.O”, cuja influência nas eleições, segundo ele, não foi tão decisiva como se pensa. “Obama venceu, principalmente por causa da impopularidade fortíssima dos republicanos e numa situação destas até eu me elegeria”, ironiza.

Segundo ele, este site configurou uma situação semelhante à democracia real. “O presidente Obama, quando foi eleito, deixou uma mensagem pedindo três medidas que eles [do site] julgavam de importância imediata”. E medidas como a legalização da maconha e do poker online ficaram entre elas. “Quer dizer, os mesmos interesses particulares da situação real estão presentes igualmente na situação virtual”, conclui.

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: