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2º Parte – Minicurso

Outubro 29, 2009

I Seminário - História de Roteiristas

por Natacha Leonelo

A segunda parte do minicurso de curtas foi realizado na sexta-feira, 30 de outubro, e foi bem mais tranqüilo que o dia anterior (repleto de teoria). O professor Daniel Torrieri começou o dia passando um trecho de “Palace 2”, e pediu para que os alunos identificassem os plots points (explicados na parte um do curso), o clímax, e onde poderia ter uma parada estratégica para os comerciais. Foram identificadas também tramas paralelas (que apesar do trecho curto, existiam) e um comentário sobre a progressão dramática.

No geral o pessoal foi bem, mas logo o palestrante retomou a teoria. Comentou dos três momentos existentes em um filme: separação (que é quando o heroi deixa para trás seu passado e sua terra natal), iniciação (quando se aventura pelo desconhecido, vence batalhas decisivas) e o retorno (obviamente, quando volta para sua casa, trazendo benefícios à toda a “aldeia”). “O heroi nunca age em causa própria, é sempre pelo coletivo”, afirma, “a não ser que seja do audiovisual, esse sim age em causa própria, seja uma ambição, um desejo ou um objetivo pessoal”.

Apresenta à sala “Os 12 passos do Heroi” e exemplifica com “A Branca de Neve”. Em seguida explica os elementos textuais que compõe a cena (ambientação, narração e diálogos), e faz uma observação: “toda vez que um personagem aparece pela primeira vez em um roteiro é bom dar uma breve descrição dele, das coisas que são mais importantes dramaturgicamente”. É importante descrever os fatos na ordem que acontecem, e se uma expressão ou tom de voz é importante na cena, colocar uma rubrica logo após o nome do personagem, por exemplo:

MARIANA (nervosa): Mas você não presta atenção por onde anda mesmo, não é?

Torrieri alerta para se tomar cuidado em descrever cenas “infilmáveis”. Cenas infilmáveis seriam as sensações dos personagens, a intenção que se quer passar, um detalhe em uma cena que você quer que indique que aquele detalhe aparecerá em alguma parte do futuro dos personagens. Vamos tentar exemplificar:

Estancou aquela pá naquele lugar pois sabia que num futuro ela o indicaria  exatamente o local onde enterrou seu tesouro.

Captaram a ideia? Uma cena infilmável seria mais ou menos isso.

O palestrante continuou comentando que é bom evitar termos técnicos no roteiro, como “adiantar a direção” com as “decoupagens” (movimentação de câmera, etc), pois isso é decisão do diretor. “Em média, uma página de roteiro equivale a um minuto filmado, mesmo que uma tenha mais descrição que diálogos, haverá cenas em que os diálogos serão maiores então há essa compensação de uma cena para outra”. O storyboard no cinema é mais para uma cena complicada para saber como e onde será local, a câmera e organizar o cenário.

O roteirista Daniel Torrieri encerrou o minicurso explicando as diferenças entra melodrama (dramático porém não trágico, maniqueísta e episódica, o que interessa são as partes – estilo “novela mexicana”, já que todos sabemos o final), tragédia (não é a visão do heroi, e este está contido no ‘todo’; é “oráculo”: não tem como escapar do seu destino, e sempre morre no final),  comédia (está ligada à situação dramática e não necessariamente precisa ser ligada ao riso, pode ser séria, romântica, etc; todos os personagens têm qualidades e defeitos, não é ligada à polêmicas, quer apenas divertir, entreter e o final é provisório – se tivesse uma continuação a situação apresentada no final provavelmente mudaria) e por último a farsa (é a versão cômica do melodrama; usa muito a caracterização dos gestos; o importante é a situação que os personagens vão viver; apresenta um esvaziamento emocional do mundo e não nos identificamos com eles, “é totalmente non-sense”).

O roteirista é aplaudido depois de responder mais algumas dúvidas finalizando assim um dos minicursos apresentados neste primeiro Seminário de Histórias de Roteiristas.

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