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Minicurso (primeira parte)

Outubro 29, 2009

por Natacha Leonelo

O Jornal O Jornal acordou bem cedo nessa quinta-feira para cobrir o evento do primeiro Seminário de Histórias de Roteiristas.

O dia se iniciou com um minicurso dividido em duas partes: metade hoje, metade amanhã. O palestrante escolhido é o roteirista Daniel Torrieri, que comentou bastante sobre os processos criativos para se criar um roteiro demonstrando as diferenças e semelhanças entre os da televisão e os de cinema.

Diferenças básicas entre as metragens: curta – hoje em dia, em festivais, o curta tem duração de até vinte minutos, e é bom para testar linguagens, estéticas, enfim, serve para as experimentações do diretor; média – dura de 30 a 50 minutos, e por isso apresenta-se muito mais estilo televiso que cinematográfico; já o longa é próprio do cinema e o tempo médio dele é de 90 a 120 minutos.

Sobre o processo criativo e da onde surgem as ideias, o essencial é retirado de experiências cotidianas, por mais banal que pareça, quando desenvolvida e somada a outros acontecimentos como observação, sensibilidade e, principalmente, repertório, a probabilidade de surgir um roteiro interessante é muito grande. Precisa estar, também, antenado aos acontecimentos atuais (prováveis fontes de “inspiração”), para quando escrever o roteiro ele tenha um conteúdo e uma argumentação muito mais profunda e completa para que seu projeto tenha uma base e um conceito com maior credibilidade perante o público.

A profundidade dos personagens varia muito pelo tipo de projeto adotado, quanto menor a metragem, mais raso é o desenvolvimento psicológico e social, apelando algumas vezes para clichês. Numa trama de maior durabilidade o aprofundamento é melhor explorado através de ações: como esse personagem age em determinadas situações, qual o posicionamento dele diante da vida, enfim… Conhecemos muito mais ele pela ação dramática – que é aquela, sempre, dotada de intenção, motivação – que faz o personagem agir ou não, correr atrás de seu objetivo ou desistir.

Nas novelas o trabalho tem um tempo maior para trabalhar os personagens, mas nem sempre são tão complexos pelo fato de o público participar da seleção dos mesmos, da seguinte forma: se o mocinho não estiver dando audiência, algum acontecimento surgirá na vida dele para atrair a atenção do público, modelando-o ao gosto do mesmo, para que a novela mantenha e adquira sempre um feed-back positivo.

Nos filmes os personagens são definidos no argumento, um texto que pode variar de três a trinta páginas dependendo da metragem adotada, e que pode conter tanto características físicas quanto psicológicas quanto o histórico de vida do núcleo do filme. Não necessariamente esse material vai às mãos do diretor, ele é usado mais pelos roteiristas para auxiliá-los na construção de sua história.

Um comentário interessante de Torrieri é que a televisão depende do cinema e do teatro para manter sua audiência, pois são complementares, visto que o cinema é uma mídia mutável e a televisão precisa estar sempre acompanhando as mudanças que ocorrem na sociedade.

O professor comentou também sobre as divisões que acontecem nos filmes, espécie de “formulinhas” para manter o público atento ao seu produto: mais ou menos nos 30 primeiros minutos (ato I) ocorre a apresentação dos personagens, então ocorre o “plot point 1”, uma mudança que faz com que o protagonista mude o rumo de sua meta para resolver uma nova situação que ganhou uma prioridade mais urgente no momento; segue-se o ato II, período de desenvolvimento ou confrontação, plot point 2 no ato III (final ou resolução) e então o término mesmo do filme. Ele pode mudar dependendo se a trama for mais ou menos desenvolvida, mas basicamente é isso.

 Já voltamos com informações completares sobre como se dá o processo criativo de um roteirista.

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