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Profissão Roteirista Cineasta

Outubro 30, 2009

por Natacha Leonelo

O palestrante é Newton Canito, e ele é uma figura um tanto quanto… interessante. É o roteirista de “Cidade dos Homens” e “9 Milimetros”, e comentou bastante do que é ser roteirista para ele.

O que mais quis reforçar em toda a palestra, de um jeito bem descontraído, e às vezes até escrachado, é que para ser um roteirista “basta você gostar muito daquilo que você faz. “Não sabe direito por qual caminho seguir? Escolhe um roteirista que você goste muito, pesquise tudo sobre ele, mas tudo mesmo”, vida, trabalhos, referências o que está fazendo hoje em dia, e vai atrás.

Você acaba descobrindo o seu estilo assim, pois faz o que gosta, e quando faz o que gosta você, na verdade, está descobrindo quem você é, “ você começa a se definir”. “Para ser roteirista tem que ser meio maluco, senão não dá certo. Aquelas pessoas politicamente corretas, cheia de morais e valores não servem para serem roteiristas, porque pra isso precisa ter maldade”, diz de um jeito muito engraçado fazendo os alunos rir, “é verdade, o roteirista precisa ser meio louco.

Por exemplo, para entender um bom vilão, você precisa amar esse vilão; não que você concorde com os atos maldosos dele, mas ele tem uma lógica, faz sentido, e conhecendo o vilão você aprende a amá-lo”. “Para se ter ótimos personagens” – interessantes, cativantes, horrendos, que causem sensações e reações diversas nas pessoas – “é preciso pensar além, não ser clichê, não fazer histórias “mesmo com mesmo”, mas ousar, ser ‘louco’ mesmo, precisa fazer seu telespectador se deparar com algo que ele nunca viu, e se bem trabalhado o personagem, mesmo que tome uma atitude típica de reprovação, fazer as pessoas se identificariam com ele, chorar com ele. É nesse ponto que você ganha o público”.

Ele apresentou muitos pontos nesse sentido, em como trabalhar a história, e intercalou com o seu início na profissão, e trajetória. Canito é uma pessoa que estuda muito a Antropologia, e faz isso para entender como as coisas são, como funciona o sistema, acabando assim por pensar em possibilidades para o panorama da sociedade atual.

A Antropologia o ajuda a entender os valores alheios e a não ficar limitado apenas a sua realidade; o que é essencial para um ótimo roteirista. “Jornalista bom é aquele que tem interesse em pesquisa de campo.” A partir de estudos como esse ele vai definindo seus personagens, tornando-os cada vez mais interessantes por parecem cada vez mais reais.

A aceitação do público tende a aumentar já que ambos, espectador e personagem, fazem parte do “mesmo” mundo. “Pegue seu irmão, sua mãe, seus amigos como referência. Use o que você tem. Leia muito, vá atrás, pesquise, senão você não terá idéias mesmo. É muito necessário ter repertório.”

Outra, das muitas dicas que ele deu, foi para não se preocupar em fazer “aquele” filme excepcional, o importante é você fazer o seu projeto e correr atrás para que ele saia o mais legal possível. “Pra começar é bom ser um texto genérico, que agrade a maioria dos públicos, a partir daí, que você for conquistando-o, você pode fazer experimentações, viajar mais“.

Canito crítica também: “No cinema brasileiro, para um roteiro ser aprovado, o tempo gasto é muito grande. Tem roteiro meu que demorou mais de cinco anos para ser aprovado e ainda está lá, só que agora acho que nem quero mais filmá-lo porque eu estou em outro momento, são outros acontecimentos na minha vida e ele não se encaixa mais”.

“Outra coisa é aquela pessoa que diz que quer abandonar tudo e ser artista. Mas o que isso quer dizer? Artista não é não fazer nada, artista precisa estar conectado com tudo o que acontece a sua volta; o problema é achar que vai fazer algo para falar do “fora”, enquanto que você está dentro de tudo isso, de todo esse sistema da vida, não tem como se excluir dele, logo, dessa forma, você também é personagem, não há escapatória”.

Newton Canito trabalha seus personagens até o último capítulo do seriado ou minissérie, de forma que estamos sempre os conhecendo, e somos surpreendidos com uma atitude inesperada mesmo em um momento antes do “fim”.

Da mesma forma é o próprio Canito, que apresenta comentários inusitados de tempos em tempos, fazendo sorrir ou “fechar a cara” de quem o escuta.

Ele termina a palestra incentivando-nos e ao mesmo tempo dizendo como foi que ele virou roteirista, já que fazia faculdade de engenharia antes de começar na profissão: “Roteiro, cinema não é social. Social é cinéfalo! Você não faz para os outros gostarem de você, porque não interessa a opinião das pessoas sobre o que você vai seguir, mas se você gosta e está disposto a lutar para realizar seu sonho. Vá atrás!” (aplausos).

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One Comment leave one →
  1. Rawlinson Peter Terrabuio permalink
    Dezembro 7, 2009 7:35 pm

    O Newton deu excelentes conselhos! O Roteirista não pode ter medo, tem de imaginar, sonhar e ir por todos os caminhos sem se preocupar, a dúvida não é real sendo apenas uma armadilha da mente que vai nos fazendo deixar de acreditar.Vá atrás! (aplausos a ele de pé)

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